terça-feira, 7 de novembro de 2017

O FILHO QUE CASOU COM A MÃE

No mundo tudo acontece,
Diz o adágio popular,
E a história de Estelito,
Vou agora lhe contar.
Um empresário opulento,
Que ainda sem ser a contento,
Com a mãe teve que casar.
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Aos trinta anos de viúva,
E setenta de idade,
Ao filho, Dona Maria,
Disse com sinceridade,
Tá amando de bom gosto,
Um rapaz muito disposto,
De sua mesma cidade.
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Sem dúvida, Dona Maria,
Tinha bela perfeição,
E era a mulher mais rica,
Na época, da região.
Porém, o “amor-cor-de-rosa”,
De forma bem grandiosa
Lhe acendeu nova paixão.
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Segundo Miguel Viola
Que este caso contava,
Um dia na feira-livre,
A velha Maria andava;
Silvério “abre o coração”
E de joelhos no chão,
O declarou que a amava.
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─Toma jeito meu rapaz,
Olhe para a minha idade,
Tenho mais de setenta anos,
Disse ela na verdade!
E novamente Silvério,
A ela disse bem sério,
─Te amo minha beldade.
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Dona Maria perplexa,
Tão logo disse ao rapaz:
─Como posso acreditar,
Na confissão que me faz;
Quarenta anos são os meus,
A mais do que são os seus,
É melhor deixar-me em paz!
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O rapaz disse: ─ mulher,
Se olhares bem em mim!
Verás que tou todo trêmulo,
Nunca amei ninguém assim!
A grande realidade,
É que o amor não tem idade,
Acredite nisto enfim.
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Notando ali a cautela,
Que tinha Dona Maria,
Desconfiado decerto,
Consigo o moço dizia:
“Esta velha certamente,
É muito esperta evidente
Mas, ela, me paga um dia”.
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Na boca da velha um beijo,
Então pediu Silvério,
Mesmo ele já sabendo,
Não desejar nada sério.
Porque para ele seria,
A forma ali de Maria,
Cair logo no mistério.
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Por já haver interesse,
A velha não rejeitou.
Tão logo abraçou Silvério;
Que sem querer lhe beijou.
E já com menos dureza,
A viúva com certeza,
A Silvério assim falou:
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─Rapaz você é mesmo um,
De fato louco, e insistente;
Quem você acha que vai,
Crer neste amor finalmente?
Pra ela ele disse assim: ─
Você crendo amor, em mim,
É o que importa evidente.
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Aliás, Dona Maria,
Mesmo ficando animada,
A resposta pro Silvério,
Por quem já sentira amada;
Prometeu dar certamente: ─
Só depois logicamente,
De ser bem analisada.
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O rapaz, disse, meu bem,
Analise com carinho!
Não despreze quem ti ama,
Faça de mim o seu ninho;
Pra te aquecer todo dia,
Não tenha cisma Maria,
É todo teu, meu corpinho.
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Ele sabia que a chance
De pôr à mão na riqueza,
Casado com a Maria,
Mais rica da redondeza.
Era na realidade,
Enfim, a oportunidade,
Das mais lógicas, com certeza.
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Logo depois de três dias,
Maria manda chamar,
O galhardo do Silvério,
Que dizia lhe amar.
E assim que ele chegou,
Na frente dela, chorou,
Para o plano executar.
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Naquele momento ali,
Uma fortíssima emoção,
Da Empresária Maria,
Invadiu o coração.
E com bastante alegria,
A velha disse: ─ sorria,
Já sou tua, seu bobão.
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Com muito mais emoção,
Disse Silvério a Maria: ─
Pra provar se seu amor,
É de fato de valia;
É comigo se casar,
E caso venha topar,
Caso hoje com alegria.
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Porém Maria lhe disse: ─
Vamos com calma, rapaz,
O importante é a gente,
Se amar e viver em paz;
Casamento depois vem;
Deixa de pressa, meu bem,
Você, já me satisfaz.
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Pensou ele ainda consigo,
Mas quando mesmo será;
Que esta velha coroca,
Comigo enfim haverá!
De casar-se com certeza;
E mais perto da riqueza,
Eu venha de fato está?
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Na luta ele seguiu,
Crendo na premonição,
De enrolar a Maria,
Mais rica da região.
A qual, enfim se casar,
Depois de muito pensar,
Prometeu ao rapagão.
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Muito ele se alegrou,
E a data do casamento,
O que mais o almejava,
Logo marcou a contento.
Mas para contrariar,
Houve sem ele esperar
Outro descontentamento.
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Antes de ir para o Fórum,
Como ele enfim queria;
Casar na igreja católica,
Já tinha plano, a Maria,
E mesmo ele sem gostar,
Teve ali que concordar,
E demonstrar alegria.
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O casamento decerto,
Que o moço nem sabia,
Pela viúva, agendado,
Estava pro mesmo dia;
Do civil logicamente,
Que era preferivelmente,
Do noivo, que só fingia.
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Porém o dia chegou,
E o povo da redondeza,
A convite da viúva,
Foi assistir com certeza.
O tal casório esperado,
Com o plebeu já notado,
Sim, como alguém de grandeza.
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Tão certo o rapaz pensou:
Hoje minha alma alivia;
Assim que nós nos casarmos,
Pra mim o sol irradia;
E assim que a velha morrer;
Como deve acontecer,
Vou viver na maresia.
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O que ele não esperava,
E muito menos queria,
Era que de um filho único,
Era mãe, Dona Maria,
O qual em outra cidade,
Habitava na verdade,
E que tudo já sabia.
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Todas as informações,
Do malandro “Safadão”,
Estelito já obtinha,
Na palma de sua mão.
Dia e hora do casório,
Na igreja e no cartório,
Já sabia ele então.
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Nesse tempo com certeza,
Telegrama não havia,
Na cidade de Estelito
Nem na de Dona Maria.
Pra mãe não ser enganada,
Às quatro da madrugada,
Partira naquele dia.
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No dia do casamento,
A igreja já lotada.
Sem sua mãe perceber,
De forma bem disfarçada,
Estelito ali chegou,
E bem quietinho ficou,
Aguardando a hora chegada.
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Depois ali do Vigário,
A Maria perguntar,
Se era do seu bom gosto,
Com o rapaz se casar.
Decerto do mesmo jeito,
Perguntou ele ao sujeito,
Que já estava a vibrar.
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Mas antes dele falar,
Quem falou foi Estelito,
O renovo de Maria,
Empresário de granito.
Dizendo─ seu Padre Zeu,
Com mamãe, casa-se eu,
Neste dia tão bonito.
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O Padre bem assustado,
Diante da confissão,
Repreendeu a blasfema,
De modo um tanto durão.
Estelito naquela hora,
Disse: ─ meu Deus e agora,
Qual será a solução?
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Já pelo lado de fora,
Da igreja certamente,
Certo valor já na mão,
Da janela realmente,
Estelito então mostrava,
Ao Padre que já olhava,
Bem disfarçadamente.
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Logo assim que Estelito,
Vira que o Padre notou.
Para dentro da igreja,
Novamente ele voltou.
E já estando assentado,
Logo o Padre ameaçado...
Sem demora o interrogou:
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─Rapaz repita, de novo,
Pra eu entender melhor,
O que você falou antes,
Pois entendi o pior.
─Estelito ali conheceu,
Que o sol pra ele nasceu,
E louvou ao Pai maior.
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Então com confiança,
Disse sem titubear: ─
Padre, com a minha mãe,
Eu quero sim me casar.
E o povo novamente,
Ficaram logicamente,
Sem querer acreditar.
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Logo, o Padre respondeu,
Causando maior tensão;
Ao confirmar para todos,
Não haver pecado não!
De o filho se casar
Com a mãe, e celebrar,
O casamento ia então.
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Na verdade ele disse,
Ouvir o moço falar;
Que seria com o pai,
Que queria se casar.
E logo ao moço perdão,
Por ter sido tão durão,
Pediu quase a chorar.
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Decerto Dona Maria,
Daquilo nada gostou,
Mas devido à ação do filho,
Ela logo ali pensou;
De estar havendo um mistério,
E desgostando Silvério,
Com o filho, se casou.
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Pra mãe, ele revelou,
Tudo ali bem detalhado.
Ela agradeceu ao filho,
O pior ter evitado.
Silvério até hoje chora,
Conforme, Miguel Viola,
Meu saudoso pai amado.
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